Thursday, October 22, 2009

Sempre

Em prisões de vidro
Em poços sem fundo
Em grelhas de rotina
Em uma mente assassina

Estarei sempre
Sempre
Longe de ti

Em lados opostos
Em ruas desertas
Em margens separadas
Em ilhas isoladas

Estarei sempre
Sempre
a tentar chegar a ti

Sempre
A procurar por ti

Sempre

Monday, September 14, 2009

Nem Mais Um Pouco

Sou alérgico ao cansaço mas dele estou viciado. Quanto menos aguento mais quero aguentar, mais mais, sempre mais em cima de mim.

Não páres, não durmas. Até conseguires aguentar. Até vires que estás a quebrar.

Para frente e para trás, para a frente e para trás, como um relógio a marcar pacientemente os dias, as horas e segundos. Um pêndulo que se mexe não por ir adormecendo no seu embalo, mecânico mas sim porque quer quebrar violentamente com a sua corrente. Cada vez mais para a frente, cada vez mais para trás, para frente para trás para a frente para trás. O pêndulo não avança nem mais um pouco. Nem mais um pouco.

Talvez seja preciso mais um pouco de cansaço. Mais um pouco de cansaço, mais um pouco de tudo. Mais um pouco de prisão para te poderes libertar finalmente. Só mais um pouco. Só precisas de mais. Mais um pouco. Mais um pouco até ficares louco.

Para frente e para trás, com mais força, com mais vontade com mais querer. Para frente e para trás, para o pêndulo quebrar, para o pêndulo voar. Para eu voar. Para deixar o mundo para trás e voar.

Voar...

Nos meus sonhos o pêndulo quebra e conforme ele quebra, nada me prende, uno-me a tudo o que é e deixo-me para trás enquanto sigo à unicidade. Nos meus sonhos, sou completo.

Mas quando acordo de volta ao meu mundo oco
o pêndulo não avançou
nem mais um pouco

Friday, August 14, 2009

A Incansável Busca Pela Redenção

Quantas vezes terei de perguntar pela razão?
Sei que não irei ter resposta
Culpa é como uma saco de tijolos que muitas vezes se opta em carregar
Haverá escolha?
Acções e reacções
Prémio e castigo

Ora vamos falar de pecadores e dos seus pecados, da sua busca pelo prémio e do seu castigo pela sua busca. Vamos falar de mim e de ti, mas principalmente de mim porque hoje sinto-me especialmente sujo. Não pela as acções praticaadas e não praticadas mas sobretudo pelos pensamentos que quase resultam em acções. E vamos falar aqui que ninguém nos ouve, vamos falar aqui que não ouves. Fugir para vencer, fugir para algo melhor.


Por aqui?

Por ali?


Espera, estou perdido.
Ah, aí estás tu. És tu? Não te consigo reconhecer, não te consigo ver os olhos.
Estás diferente, estás na mesma, que bom sentir uma presença familiar, que bom sentir algo, o quer que seja. Não, algo bom.

Saudades de algo bom.

Para todos os pecadores que me escutam, para todos os santos que continuam a andar em círculos, este pecador continua a correr atrás das mesmas sombras, este pecador continua irremediavelmente a cometer os seus pecados julgando estar neles a sua salvação.

Este pecador vai morrer sozinho, como todos os outros.

Wednesday, July 22, 2009

Ciclos

A vida tal como a conheço pode ser dividida em dois momentos, aqueles em que me esqueço e me lembro de ti. A dormência do primeiro não facilita a dor que o segundo me provoca. Sempre uma esperança que a dormência seja definitiva e que a lembrança não a siga.

A dor é viciante e dor chama mais dor e a dor que chega não chega a dormência e todo o sentido perde o sentido quando não faz mais sentido escolher entre a dor ou a dormência.

Para os interessados, para os curiosos e sobretudo para a assistência perdida pelo caminho, uma pequena revelação, uma pequena profecia:

Nada que verdadeiramente existiu verdadeiramente morre.

Sunday, June 28, 2009

Prisão Selvagem

O caminho fica gasto de tantas vezes se passar com os mesmos passos seguros e ignorantes. Andar em círculos pode ser a prisão mais implacável de sempre. Cegos pelo sol, cegos pelo escuro ou simplesmente de olhos fechados.

Não interessa o que faças, a prisão foi construída para durar e de lá não irás sair por lá quereres ficar.

Não há prisão mais selvagem do que a vastidão do mundo que nos empurra para fora dela. Com tanta coisa para ver, tanta coisa para sentir mas no fundo... não há nada lá fora dela. Nada do que queremos, nada do que procuramos, nada do que precisamos.

Essa vai ser a eterna questão, esta vai ser a eterna resposta.
Até que a sintas, eu vou estar aqui para a mostrar.

Vez após vez.
Vez após vez.

Vez após vez.

Monday, June 01, 2009

Funny

É engraçado que o tempo, preocupação e esforço que dispendemos a nos protegermos daqueles que amamos é sempre superior aqueles que nem sequer gostamos.

Thursday, April 30, 2009

Numb

A correr, o máximo que se pode sem se dar conta que se está no limite. Sem pensar, sem parar.
Corre corre, foge, foge.
De quem?
De mim, de ti.
Não pares.
Corre, foge.

Até não conseguires mais respirar, até não conseguires mais andar.
Até caires.
Porquê?
Não penses.
Instintivamente, segue as setas que julgues acertadas.
Se erraste o caminho, na próxima acertas.
Não olhes para trás.
Nunca olhes para trás.
Não há futuro.
Apenas a eterna corrida em que estás metido.
Sem fugas, sem paragens...

CORRE!