Saturday, January 23, 2010

Sonho

Esta noite sonhei contigo... outra vez.

Foi estranho porque não te consegui identificar pelo o que vi, estavas diferente. Não eras o que foste e muito menos o que és. E embora eu sinta actualmente que não te conheço e que nunca te conheci verdadeiramente, mesmo assim, conseguiste surpreender-me.
Já me cansei e desisti de tentar compreender o significado destes sonhos, dizendo a mim próprio, a cada ocasião, de que não interessa, são apenas sonhos. No entanto digo sempre isto depois do consciente estar devidamente recomposto. Os abalos que isto me provoca são cada vez mais fortes e mesmo sabendo que não adianta tentar encontrar razões, explicações, alguma luz na razão e significado destas torturas nocturnas, vou sempre em busca delas.

Porque é sempre tão real... real demais para um sonho e efémero demais para que perdure.
O teu rosto vai mudando, o teu penteado, até o teu cheiro e sabor... vais mudando à minha frente, escondendo-te dentro de um sonho que sabes que eu vou esquecer, deixando-me na agonia e no vazio de pensar que estás presente de mim apesar de, talvez, numa mera hipótese irracional, deixares-me sempre a sentir que ainda não te conheci.
A ideia que não te possa vir a conhecer continua a fazer com que durma mal mas quando me consigo esquecer disso, no sono mais profundo, vens ter comigo e dizes-me algo.

Ainda não consegui perceber o quê.

Wednesday, December 16, 2009

Um dia destes

Um dia destes vou dominar-te, conseguir controlar tudo o que fazes. Ser mais que tu e poder ter poder sobre ti. Apenas para poder dizer aquilo que quero dizer sem que reajas intempestivamente. Tudo de bom, tudo de mau. Não sei se a minha vergonha ou medo é da tua reacção ou de eu ter de encarar com os meus sentimentos, coisas que não quero que sejam minhas.

Divides-me naquilo que tenho de bom e naquilo que tenho mau dentro de mim. Não sei se quero fazer amor contigo ou cortar-te a garganta, não sei que poder é este que tens sobre mim que me faz anular, prender-me dentro de mim. Lançar-me a confusão que me lança na confusão que sou eu, ser humano que não o quer mas o é obrigatoriamente na tua presença.

Tenho medo que um dia destes me domines, que faças que perca o controle de tudo o que faço. Ser mais que eu e saberes o poder que tens sobre mim. O que menos quero é que vejas que sou humano. Não o quero ser. Não ao pé de ti.
Nesse dia, sei que vou ficar refém das minhas emoções e dizer-te tudo. Tudo de ti.

Tudo de bom, tudo de mau.

Monday, November 16, 2009

Algo

Tentar definir a dor que sinto é perda de tempo mas também hoje em dia tudo o que sinto é perda de tempo. Gostava então de não sentir.

Para quê?
O que iria fazer depois a tanto tempo livre?

Talvez pudesse ter tempo para outra coisa qualquer que não sentir. Para pensar... na dor que já senti.

Para quê?
De que adianta olhar para o passado se por mais que pense nele, ele mantém-se inalterado. Não será isso também perda de tempo?

Gostava então de olhar para o futuro, encontrar a melhor forma de viver sem me sentir...

Eu não sinto.

Gostava então de olhar para o futuro e encontrar a melhor forma de viver sem estar sempre a pensar.

Eu não penso.

Gostava...de olhar para o futuro e encontrar algo. O quê, não sei. Algo que me fizesse sentir, algo que me fizesse pensar. Algo. Algo. Algo que me fizesse querer.

Viver.

Thursday, October 22, 2009

Sempre

Em prisões de vidro
Em poços sem fundo
Em grelhas de rotina
Em uma mente assassina

Estarei sempre
Sempre
Longe de ti

Em lados opostos
Em ruas desertas
Em margens separadas
Em ilhas isoladas

Estarei sempre
Sempre
a tentar chegar a ti

Sempre
A procurar por ti

Sempre

Monday, September 14, 2009

Nem Mais Um Pouco

Sou alérgico ao cansaço mas dele estou viciado. Quanto menos aguento mais quero aguentar, mais mais, sempre mais em cima de mim.

Não páres, não durmas. Até conseguires aguentar. Até vires que estás a quebrar.

Para frente e para trás, para a frente e para trás, como um relógio a marcar pacientemente os dias, as horas e segundos. Um pêndulo que se mexe não por ir adormecendo no seu embalo, mecânico mas sim porque quer quebrar violentamente com a sua corrente. Cada vez mais para a frente, cada vez mais para trás, para frente para trás para a frente para trás. O pêndulo não avança nem mais um pouco. Nem mais um pouco.

Talvez seja preciso mais um pouco de cansaço. Mais um pouco de cansaço, mais um pouco de tudo. Mais um pouco de prisão para te poderes libertar finalmente. Só mais um pouco. Só precisas de mais. Mais um pouco. Mais um pouco até ficares louco.

Para frente e para trás, com mais força, com mais vontade com mais querer. Para frente e para trás, para o pêndulo quebrar, para o pêndulo voar. Para eu voar. Para deixar o mundo para trás e voar.

Voar...

Nos meus sonhos o pêndulo quebra e conforme ele quebra, nada me prende, uno-me a tudo o que é e deixo-me para trás enquanto sigo à unicidade. Nos meus sonhos, sou completo.

Mas quando acordo de volta ao meu mundo oco
o pêndulo não avançou
nem mais um pouco

Friday, August 14, 2009

A Incansável Busca Pela Redenção

Quantas vezes terei de perguntar pela razão?
Sei que não irei ter resposta
Culpa é como uma saco de tijolos que muitas vezes se opta em carregar
Haverá escolha?
Acções e reacções
Prémio e castigo

Ora vamos falar de pecadores e dos seus pecados, da sua busca pelo prémio e do seu castigo pela sua busca. Vamos falar de mim e de ti, mas principalmente de mim porque hoje sinto-me especialmente sujo. Não pela as acções praticaadas e não praticadas mas sobretudo pelos pensamentos que quase resultam em acções. E vamos falar aqui que ninguém nos ouve, vamos falar aqui que não ouves. Fugir para vencer, fugir para algo melhor.


Por aqui?

Por ali?


Espera, estou perdido.
Ah, aí estás tu. És tu? Não te consigo reconhecer, não te consigo ver os olhos.
Estás diferente, estás na mesma, que bom sentir uma presença familiar, que bom sentir algo, o quer que seja. Não, algo bom.

Saudades de algo bom.

Para todos os pecadores que me escutam, para todos os santos que continuam a andar em círculos, este pecador continua a correr atrás das mesmas sombras, este pecador continua irremediavelmente a cometer os seus pecados julgando estar neles a sua salvação.

Este pecador vai morrer sozinho, como todos os outros.

Wednesday, July 22, 2009

Ciclos

A vida tal como a conheço pode ser dividida em dois momentos, aqueles em que me esqueço e me lembro de ti. A dormência do primeiro não facilita a dor que o segundo me provoca. Sempre uma esperança que a dormência seja definitiva e que a lembrança não a siga.

A dor é viciante e dor chama mais dor e a dor que chega não chega a dormência e todo o sentido perde o sentido quando não faz mais sentido escolher entre a dor ou a dormência.

Para os interessados, para os curiosos e sobretudo para a assistência perdida pelo caminho, uma pequena revelação, uma pequena profecia:

Nada que verdadeiramente existiu verdadeiramente morre.