Sunday, June 28, 2009

Prisão Selvagem

O caminho fica gasto de tantas vezes se passar com os mesmos passos seguros e ignorantes. Andar em círculos pode ser a prisão mais implacável de sempre. Cegos pelo sol, cegos pelo escuro ou simplesmente de olhos fechados.

Não interessa o que faças, a prisão foi construída para durar e de lá não irás sair por lá quereres ficar.

Não há prisão mais selvagem do que a vastidão do mundo que nos empurra para fora dela. Com tanta coisa para ver, tanta coisa para sentir mas no fundo... não há nada lá fora dela. Nada do que queremos, nada do que procuramos, nada do que precisamos.

Essa vai ser a eterna questão, esta vai ser a eterna resposta.
Até que a sintas, eu vou estar aqui para a mostrar.

Vez após vez.
Vez após vez.

Vez após vez.

Monday, June 01, 2009

Funny

É engraçado que o tempo, preocupação e esforço que dispendemos a nos protegermos daqueles que amamos é sempre superior aqueles que nem sequer gostamos.

Thursday, April 30, 2009

Numb

A correr, o máximo que se pode sem se dar conta que se está no limite. Sem pensar, sem parar.
Corre corre, foge, foge.
De quem?
De mim, de ti.
Não pares.
Corre, foge.

Até não conseguires mais respirar, até não conseguires mais andar.
Até caires.
Porquê?
Não penses.
Instintivamente, segue as setas que julgues acertadas.
Se erraste o caminho, na próxima acertas.
Não olhes para trás.
Nunca olhes para trás.
Não há futuro.
Apenas a eterna corrida em que estás metido.
Sem fugas, sem paragens...

CORRE!

Tuesday, March 10, 2009

Tempo

A sensação de não conseguir respirar é das que mais odeio. Por algum motivo, sentir que se anda a correr à mais tempo do que aquele que qualquer humano poderia aguentar. A asma só ataca quando por algum motivo, o sistema nervoso bloqueia essa função primordial à sobrevivência mas existem as ocasiões que ela vem disfarçada. Nem é importante reconhecê-la porque isso não resolve o problema.
Sinceramente... não sei o que resolve o problema.
Adaptação ou inadaptação. Só preciso tempo para respirar.
Parar e respirar.
Esse é o problema.
Quando páro, esqueço-me sempre de respirar.
Um dia destes vou parar o tempo para poder respirar.
Ou para me lembrar.

Porquê...

...a necessidade de sofrer?

Prolongar o sofrimento.
Não há mais nada não há mais ninguém... até que há mais algo, há mais alguém. Mesmo assim, mais tarde, volta-se ele. Estranho acesso de saudades, falta de qualquer coisa.

Eu não sei nada, só tenho hipóteses.

Talvez quando a solidão aperta, a dor seja realmente aquilo mais familiar que nos acompanha.

Thursday, January 15, 2009

Pedaços Soltos de Nada

Certas palavras perdem o sentido depois de muitas repetidas. Tal como as memórias.
Imaginemos, hipoteticamente, cenas de uma vida passada. Familiar mas ao mesmo tempo, completamente distante. Nessa vida passada, onde já se faleceu, todas as rotinas, todos os momentos são dotados de um significado acrescido.
Exarcebado.
A morte, violenta ou não, implica tudo menos um fim. A não conformidade de deixar... de viver, claro. E num estado de sonho se passa a viver. Ou sonho ou dormência. Até que se decide acordar, voltar a viver, mais uma vez.
A pessoa que acorda não é a mesma que morreu e neste momento em que se divide em duas metades não iguais, a que morreu continua a agarrar-se à vida. Como sempre, desesperadamente. Porque não consegue descansar em paz. E quantas mais vezes lhe digam... Descansa em paz isso não acontece. Outras vidas passam, outros nascem, outros morrem. E a paz não chega.
Tudo o que sobra são imagens que foram gastas de tanta repetição e um espírito quebrado por não conseguir descansar delas. O irónico é que ambas as metades desesperam pelo mesmo motivo e ambas não conseguem encontrar sentido nisso.
O que as une foi o que as separou. Pedaços soltos de nada.

Monday, December 29, 2008

Perdido Em Ti

O tempo passa tão depressa que não consigo tomar consciência dos dias, horas, meses, semanas.
As pessoas aparecem e desaparecem à minha volta, artes mágicas, ilusionismo. Todos procuram, precisam algo. Todos dão, tiram, tiram, dão. Sem querer intencionalmente, talvez. Pessoas, coisas. Sem parar, sempre andar. Corre, corre. Corre que vêm atrás de ti, corre atrás dos teus sonhos. Olha para a frente, não olhes para trás, não olhes para o lado. Não olhes para o espelho. Pessoas , coisas. Elas transformam-se nascem, vivem, morrem. Mudam. Sem parar, sempre a andar. Muda, mudam, muda, mudo.

Silêncio.

Tum tum.

Tum tum, tum tum.

O coração quebra o silêncio para lembrar que vivo. Quebra o silêncio para mostrar que vive, ele também.
Sem parar para pensar, sem parar para saborear. Não penses, sente. Não sintas, pensa. Não penses, não sintas. Não, não, não, não.

Onde estou eu?

(Corre, corre, corre. Corre corre sem parar. Corre!)

Tum tum, tum tum, tum tum.

Ritmo certo, a rotina necessária ao caos. Algo certo, certo, certo. A solução para poder sair deste labirinto, depois de tantas paredes e mais paredes. Perdido no caos e no caos o coração é a bússola que me guia ao único sítio onde sabe que se vai perder perdidamente.

Saturday, November 01, 2008

Desencontro

Agora estou aqui.

Mas quando Algo quiser, estarei ali, onde tudo o que quero estará aqui.
E nessa altura tudo o que vou querer vai ser completamente diferente de tudo o que quis.

Nessa altura, tudo o que vou querer vai estar aqui e não ali.