Sunday, February 02, 2014

Ode Para Ti

Ode para ti

Tu que estás no chão porque perdeste alguém, porque estás doente, porque tiveste azar, porque a vida não te correu bem, porque os amigos, a família te abandonaram, porque não gostas deles e achas que estavas melhor sem eles, porque não tens emprego, porque quiseste dar mais, porque quiseste dar menos ou porque simplesmente não quiseste dar por nunca teres recebido de volta. Por imensas razões, podes estar no chão. Podes ter apenas caído, sem ter acontecido nada. Estás no chão. E é confortável. É confortável estar no chão, porque do chão não se pode passar. É confortável por já se conhece, é familiar. 

Mas tu sabes. Tu sabes que não pertences aí, sabes que tens que te levantar, tens que te erguer como fizeste tantas vezes no passado. Tens que te erguer como Lázaro, tens que te transmutar, mas tens que ser fiel ao que és. A quem tu és. Sabes quem tu és? Eu sei. És um lutador, és uma lutadora. És quem caiu muitas vezes no passado, és quem está disposta a cair outras tantas no futuro, não porque és masoquista, mas porque és destemida e destemido em lutar pelo o que acreditas, em lutar por aquilo que te faz viver, aquilo que te faz vibrar, aquela energia especial que te faz sorrir, que te faz ter orgulho em ti e no que te rodeia. Vais lutar, está na tua natureza, está na tua fibra.

Tu vais-te levantar porque é quem tu és. Alguém que se levanta quando cai, alguém que não tem vergonha de admitir os seus erros, alguém que não tem medo de viver, de amar, de partilhar, de confiar. Tu vais-te levantar porque sabes que é assim que se vive a vida, é assim que ela deve ser vivida. De cabeça erguida. Porque sabes que não fizeste nada de errado e se fizeste, sabes que um erro é uma oportunidade de aprendizagem, que é uma forma de te aperfeiçoares e que mesmo sabendo que não chegarás à perfeição, vais chegar à melhor versão de ti que alguma vez existiu e não será isso uma razão perfeita para te levantares?

Não basta ergueres-te. Tens que andar. Tens que libertar as amarras e seguires o teu caminho, mesmo que isso signifique deixares a tripulação em terra. Talvez esta viagem seja para fazer sozinho ou sozinha. Talvez vás apanhando uma nova tripulação em cada novo porto que desembarcas. Porque não? As tuas portas estão abertas e tens confiança no mundo, tens confiança em ti. Tens confiança. Confiança é o que tem quem acredita sem ver, quem navega sem bússola, quem confia o seu destino aos ventos do mundo acreditando no bom porto onde chegará. Quem tem coração não precisa de instrumentos de navegação, não precisa de ver parar crer. Quem tem o coração aberto apenas precisa crer para ver. E tu acreditas. Acreditas sobretudo em ti e no teu valor. Acreditas no destino da tua viagem, não como o mais valoroso, mas apenas como uma desculpa para fazeres o caminho até lá. E como essa viagem é gloriosa.

Não andes. Corre. Sente o coração a bater, sente o ar frio a entrar nos teus pulmões, sente a dor a confundir-se com o prazer apenas pelo simples facto de estares vivo, de sentires o sangue a percorrer o teu corpo, de sentires a dádiva que é estares vivo, a dádiva que é poderes brindar o mundo com a tua arte. Sim, a tua arte. De escrever, de pintar, de sorrir, de amar, de tocar, de experimentar, de curar. A tua arte de viver, as pessoas que tocas com a tua arte de viver. Os risos, as emoções, os abraços, os beijos o amor, as palavras ditas com o olhar. Corre, não andes. Embora correr possa significar que possas cair mais depressa, também significa que vais-te libertar das correntes que te têm prendido, as correntes que te prendem ao chão. Não há quem te possa prender, não há dor que te possa subjugar porque tu tens capacidade para criar, tens a capacidade para criar tudo aquilo que queres. Porque tu acreditas. Que tens valor. Que tens valor. Que tens valor.

Tu que estás no chão... tu sabes. É só um momento no tempo. Vai passar. Tudo passa. Estás destinado a coisas grandes e talvez as coisas grandes não sejam grandes o suficiente para impressionar os outros, mas tu sabes... que a pessoa que mais precisas de impressionar, é a que está no chão. Dá-lhe a mão. Perdoa-a do mal que achas que te fez, das suas falhas, por sentires que não esteve à altura das tuas expectativas. Essa pessoa que está no chão é a única que te vai acompanhar na vida e que se não a amares... que se não te amares, nunca te poderás te levantar. Se não te respeitares, nunca poderás andar. Se não acreditares em ti próprio e em ti própria, nunca poderás correr. Tu sabes, meu amigo... minha amiga... 

Tu sabes.

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